Sobre a hipocrisia que não temos
Se vivemos no piloto automático, e se subimos o vidro, e se achamos que estamos certos. E se acusamos os fracos, e se reclamamos dos fortes, e se parecemos ímpares, e então advogamos a justiça ex machina.
Mas atenho uma consciência que, caídas as escamas, me floreia a vida, e me esconde as vergonhas. E compro o céu em parcelas, e me dirijo para a felicidade numa garagem fechada. E tenho minhas noites, que são só minhas, e me tem elas, pois que não conheço sonhos.
Mas acima de tudo tenho vida de cinema, e tenho cenário de novela (ainda que vaga). E me represento, e me torno irresoluto, pois que assim me resolvi.
